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  • Redação

Família perde ação movida contra União por morte de Covid


A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, negou, por unanimidade, o pedido de condenação à União por omissão nas compras da vacina no caso da morte de um homem de 50 anos, vítima de Covid-19. A família entrou com a ação para requerer indenização de R$ 200 mil de danos morais e R$ 500 mil de danos materiais.


Segundo alegam os familiares do homem, que morreu em março de 2021 na cidade de Passo Fundo (RS), a morte por Covid-19 teria sido resultado da ausência das vacinas na época em que o governo federal recusou propostas comerciais do Instituto Butantan e da Pfizer para compras dos imunizantes. A ação aponta ainda que se o homem tivesse acesso à dose a tempo, a morte poderia ter sido evitada.


Os familiares discorreram sobre a responsabilidade objetiva da União, alegando omissão por parte dos agentes públicos, bem como o nexo de causalidade entre o ato omissivo e o resultado.


Em resposta, a Advocacia Geral da União contestou a ação e rechaçou a ocorrência de não adquirir as vacinas contra a Covid-19. Segundo o órgão, o homem faleceu dois meses após o primeiro uso emergencial da vacina ser autorizado no Brasil, em 17 de janeiro de 2021. A União afirmou ainda que o Ministério da Saúde deu grande atenção à pandemia e que, por isso, não há relação de causa entre a falta de aquisição da vacina e a morte do homem, sendo o falecimento causado pelo vírus e não pela falta de vacina.


A ação impetrada é fundamentada pela responsabilidade civil do Estado no art. 37, §6º, da Constituição Federal de 1988 que aponta que as “pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.


Além disso, a ação se baseia no artigo 186 e 187 do Código Civil, que apontam que comete ato ilícito “aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem” e “o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos costumes”.


Na decisão, assinada pela desembargadora Marga Inge Barth Tessler, relatora do processo, o TRF-4 entendeu que, devido à distância entre a data de morte do homem e o calendário de vacinação das pessoas com 50 anos de idade, que teria começado em 14 de junho de 2021, não havia como saber se, mesmo com a antecipação da vacina, o homem teria recebido pelo menos a primeira dose da vacina, e nem mesmo que, tendo tomado a primeira dose do imunizante, nas suas condições de saúde, o óbito não aconteceria.


– Além disso, ainda que se cogitasse de forma hipotética, que teria dado tempo para o falecido realizar a primeira dose da vacina – o que seria praticamente improvável em face da sua idade -, não há como concluir se as suas condições de saúde afastariam completamente os riscos da doença – pontuou a sentença.


A decisão indicou ainda a ausência de informações sobre a forma de contágio da Covid-19, a atividade profissional do falecido, os riscos e forma de exposição frequente, os cuidados tomados por ele para evitar a infecção, bem como as medidas pessoais de redução de riscos, como o uso de máscara e distanciamento social.


– E, a par da ausência dessas informações, não se pode concluir que a causa imediata do óbito do falecido tenha sido decorrente da ausência de vacinação e demais condutas ativas e omissivas do poder público – apontou a decisão.


*AE


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