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Cabrini conta como foi descobrir Jorgina foragida na Costa Rica


O repórter Roberto Cabrini, da Record TV, foi o jornalista que localizou e entrevistou pela primeira vez na imprensa a advogada e procuradora previdenciária Jorgina de Freitas quando ela estava foragida, em 1997.


Jorgina foi condenada por envolvimento com quadrilha de fraudadores do INSS, que desviou R$ 2 bilhões dos cofres públicos.




Depois de cinco meses de trabalho de investigação, Cabrini descobriu o esconderijo da advogada na Costa Rica. A reportagem, feita ao lado do cinegrafista Orlando Moreira, foi exibida em 31 de outubro de 1997 no Globo Repórter, da Rede Globo, e ganhou o prêmio Previdência Social.


A advogada morreu na última terça-feira (19), no Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Veja a seguir o relato de Cabrini sobre o trabalho de busca e a reação da advogada na entrevista.


Como foi a busca pela advogada?




Eu localizei a Jorgina de Freitas, a maior fraudadora da história do INSS, em 1997. A localização aconteceu em San José, capital da Costa Rica, e refletiu uma busca de cico meses, que começou na Baixada Fluiminense, onde ela mantinha seu principal reduto.

Lá, mapeei as pessoas que as cercavam, os principais dados, um trabalho muito extenso e muito cansativo, que a gente não tinha certeza nenhuma que teria êxito. Mas, cinco meses depois, conseguimos localizá-la, e a entrevista acabou acontecendo num hotel de luxo na capital da Costa Rica.


Qual foi a reação dela durante a entrevista?


Recordo-me que ela estava muito tensa. Ela já chegou disfarçada, usando uma peruca totalmente diferente da sua aparência e já tinha passado por uma série de cirugias plásticas também. Num determinado momento, eu me recordo que alguém bate na porta do hotel e ela fica muito tensa. Ela quase quis parar tudo e fugir. Enfim, isso refletia toda a tensão que ela vivia.


Ao mesmo tempo, ela me confidenciou que mantinha uma certa segurança porque remunerava determinadas pessoas ligadas à Polícia Federal, uma minoria, evidentemente, total minoria, para não ser localizada. Mas ela não tinha garantia total que isso jamais iria acontecer.



E qual foi o legado desse trabalho?

Essa reportagem repercutiu mundialmente, fez justiça a pessoas lesadas no sistema de Previdência Social do Brasil e me rendeu o prêmio Previdência Social de Jornalismo, um dos mais importantes que eu já ganhei em toda a minha carreira.


É uma reportagem que reflete um período em que me dediquei muito à localização de fugitivos da Justica, como Paulo Cesar Faria, o tesoureiro de Fernando Collor de Mello, que localizei em Londres. Como, por exemplo, o Roberto Osório, ex- diretor do Depósito Público do Rio de Janeiro, que fugiu levando todas as jóias do depósito e foi se esconder na África, em Moçambique, onde eu pude localizá-lo.


O Márcio Fonseca Scherer, que foi um garoto de programa brasileiro que assassinou o empresário João Sabóia no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, e foi se esconder em Santa Catarina, onde eu o localizei.


Enfim, era uma época em que eu me dedicava muito a esse tipo de missão, que reflete também a impunidade dos sistemas que nós temos no Brasil. Hoje em dia, a situação já melhorou muito, e o grande legado é a luta contra a impunidade.


O que mais chama atenção é que a polícia nessa época, principalmente, não fazia seu trabalho como deveria fazer, porque havia muitos entraves, o principal deles era o da corrupção. Essa reportagem tem significado histórico bem grande para o jornalismo brasileiro e principalmente para os milhares de pessoas que foram lesadas por esse grande roubo nos cofres da Previdência Social.


R7

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